Preconceito

Sim eu passo por meus momentos acres… e foi vendo o jornal na televisão que resolvi, mais uma vez, escrever uma crítica…  Bueno, boa leitura a todos… e deixa eu tentar acabar de escrever outro texto aqui…

Brasil, país do preconceito… é onde vivemos. Há muito tempo venho pensando nisso; mas não no preconceito que nosso presidente tanto diz ser a pior doença da humanidade… a forma mais maléfica do preconceito desse país é o com os ricos. Trabalhar duro e ganhar mais, nesse país não nos traz mais felicidades, mais dignidade… isto nos leva a ter mais dores de cabeça… mais impostos e, consequentemente, os que ganham mais guardam menos. É a cultura de um país que colhe a miséria do seu povo. Mas isso não é via de regra… existem dois tipos de “ricos”: os com vergonha e os sem-vergonhas; acredito que não precise explicar essa definição, mas vamos lá: os que têm vergonha, são os que não deveriam de ter em falar que enriqueceram, ou que provém de um berço esplêndido, pois declaram sua renda, pagam seus impostos e, mesmo assim, conseguem juntar dinheiro; já os sem-vergonha são os que controlam a máquina pública do país, direta ou indiretamente…  são os que ludibriam as leis e riem dela… esses são os que deveriam ter vergonha de quem são, mas geralmente estufam o peito feito galos de rinha para dizerem seus sobrenomes.

E o pior disso é que esse preconceito é cultural, está encranhado nas mentes de ricos e pobres, de negros e brancos, das pessoas de bem e os “de mal”… historicamente, desde tempos do império punimos quem tem condições para “compensar”, para nivelar por baixo uma sociedade que tem, sim, muito para crescer.

Os exemplos para isso são inúmeros, poderia escrever sobre eles por semanas sem parar, mas vou citar um ou outro apenas. Como primeiro fato, quero diferenciar a forma como é aplicado o imposto sobre os carros – no Brasil conhecido como IPVA – entre nosso país e alguns dos principais países da Europa: aqui, quem tem condições de trocar seu carro por um mais novo ou melhor, é taxado; ou seja, um carro mais novo, que dá menos manutenção, que estorva menos o trânsito, que aplica novas tecnologias de segurança e que polui menos é sobre-taxado por causa, justamente, disso; enquanto que aquela lata-velha de 20 ou 30 anos, que não desenvolve velocidade em uma rodovia, que consome muito mais combustível e de modo ineficaz (gera mais poluição), que todos os dias vemos não arrancando ao sinal verde, pois alguma coisa estragou, causando transtorno para todos ali à volta, não paga um único real de imposto. Isto encoraja o envelhecimento da frota nacional; hoje, só compra um carro novo neste país quem quer conforto e/ou status – e não são poucas as pessoas que querem estes dois.

Outro exemplo são as novas cotas criadas sendo implementadas em TODAS universidades federais do país. Cotas para negros ou para “estudantes provenientes do ensino público”… estamos, como país, rebaixando quem tem condições, nivelando o ensino como instituição nacional, por baixo, não estamos seguindo exemplos que deram certo em todo o mundo, como Coréia do Sul, que alavancaram, durante anos, o ensino de base… isso gera profissionais competentes, inquestionáveis… nosso sistema de cotas gerará, para sempre, a questão “Será que este profissional é competente mesmo?”, pois quem se aproveita da legalidade das cotas, está assumindo que não teria a condição de entrar na universidade pela concorrência normal do vestibular… não que o tradicional vestibular seja infalível… é, de veras, muito falho por resumir 11 anos de estudos em apenas meia dúzia de provas, mas é, pelo menos, um método justo e igual a todos. E igualdade, sim, é o que precisamos no Brasil. Na verdade – falando o que todos nós já sabemos – o sistema de cotas é uma tentativa de correção imediata para um problema que nosso governo vem criando há décadas; A nata política do país, historicamente, se aproveita da ignorância dos brasileiros; é muito mais fácil “domar” carneiros que lobos ou, em outras palavras, é muito mais fácil enganar ignorantes que pessoas que têm instrução; se isto não fosse o bastante, temos um povo preguiçoso… população que se deixa ser enganada com orgulho de dizer que “há um jeitinho para tudo”… povo que prefere receber R$50,00 por mês ficando em casa, cultivando a própria pobreza e ignorância a estudar e trabalhar por um salário de R$400,00. Vivemos uma crise… e não estou falando de uma crise aérea ou ética… estamos vivendo uma crise cultural… temos um presidente que se orgulha de dizer que não tem estudo, estufa o peito para afirmar que “não sabia de nada” sobre corrupções que o rodeiam e pensa que isso explica tudo… ora, ele é PAGO para saber o que acontece à volta dele… é remunerado para estar cercado de pessoas de capacidade e dignidade… e, a meu ver, MUITO BEM PAGO para isto… mas isto já está fugindo do foco deste texto.

Já citei isto em alguns dos meus textos, mas sou obrigado a refazê-lo: em SP, há um novo projeto de lei que entrará em vigor (se não entrou ainda) obrigando as casas noturnas a instalação de bebedouros… a idéia parece muito boa, não fosse a justificativa do deputado que li em um site de notícias… ele afirmou que esse projeto era focado no consumo de drogas nas boates, que é crescente e desmedido; pois os bares cobram muito caro pela água e os jovens preferem consumir álcool juntamente com drogas, o que aumenta o nível de desidratação do viciado. Acredito que eu esteja passando por uma fase muito crítica da minha vida, mas isso não tem sentido algum para mim… criar uma lei que não coíba o uso de drogas, mas sua justificativa é fundada numa prática ilegal… alguém concorda/discorda disso?

Enfim, voltando ao assunto, preconceito não é uma prática que deva ser compensada, pois a compensação dela gera ainda mais preconceito… para a abolição desse fator abominável de nossa sociedade, ninguém pode se sentir favorecido nem prejudicado por ela. Mesmo porque, um dia de orgulho gay, um dia das mulheres, um dia do índio, um dia para orgulho negro, um dia para combate à AIDS, um dia para os pais… tudo é bom, tudo nos lembra que tivemos (e ainda temos) preconceito… mas e eu, que sou homem, branco, heterossexual, saudável e não tenho filhos? Porque não tenho um dia para mim no calendário nacional ou mundial? Devo ter vergonha de não fazer parte de nenhuma das ditas “minorias”? Eu sou minoria assim, pois todos têm um dia, pelo menos, para comemorar… talvez eu deva esperar a criação do dia dos sedentários? Ou o dia dos solteiros de meia-idade? Brincadeiras à parte, preconceito só deixará de existir quando pararmos de pensar que essas minorias existem, que alguns são oprimidos por causa da cor de pele ou do status social (e explico: quem impõe e quem sofre o preconceito devem esquecer)… e quando deixarmos de exigir uma indenização compensatória pelo histórico do país ou da humanidade, pois isto realimenta a bola de neve, o círculo vicioso. Mas para isso é preciso vontade de crescer e trabalho… como diria meu avô, “te ensino a pescar, mas aprenda e pegue os próprios peixes”.

 

Preconceito

17/08/07

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