Pegaram um trem em Londres com destino à Paris

Faz muito tempo que esse inacabad_ estava esquecido no meu computador… não lembro muito bem qual era esse segredo, mas acho que a Ana está grávida do Thomas, mas ela vai dizer que é do Marco… ou algo assim…

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Pegaram um trem em Londres com destino para Paris. Planejaram esse final de semana ‘à parisiense’ já havia algum tempo. Marco sentou-se na janela, como sempre, para que sua amada Ana observasse a paisagem lá fora com a cabeça em seu peito onde, em breve, já estaria dormindo.

Ele abraçava-a com o braço direito enquanto segurava a mão dela em seu colo com a esquerda… sorria. Ana tinha em sua mão esquerda a de marco, ao passo que sua mão direita repousava no peito do rapaz… tinha os olhos fixos para fora da janela, mirando por vezes o verde ao sul de Londres, por vezes as pequenas gotas de chuva que escorriam pelo vidro… estava pensativa; nervosa até. Tinha um grande segredo para contar, mas não sabia por onde começar…

Marco pensava em como conhecera sua noiva: a apresentação tímida de seu amigo Thomas que, na época, saía com ela… as poucas conversas que tinham de início e as confidências que ela lhe partilhava depois de certo tempo… as festas que faziam – sempre como amigos… a briga dela com Thomas e a desavença deles dois por causa de um ciúme infundado dele… a decadência e as últimas horas no hospital, ao lado do amigo que lentamente definhava os frágeis e raros fios de vida que lhe restavam.

–          Cuide dela por mim… por favor, Marco… prometa que vai cuidar dela por mim…

–          Farei isso, Thomas… prometo…

Foi a última vez que conversaram. Marco se culpava por não estar com ele na hora de sua morte. Ana havia ficado ao lado dele naquela noite… não era justo ela ter de vê-lo falecer… Marco sentia-se mais culpado por deixá-la ali naquela noite que por não estar presente…

Contava-se vinte e sete dias desde a morte do amigo… era para estarem se dirigindo à capital francesa juntos… no velório, Marco colocou a passagem em cima do caixão, junto de uma pequena bandeira francesa, já que esta viagem – assim como todas as outras que fizeram – fora toda planejada por ele. Ele tinha o sonho de conhecer todo o Velho Mundo e, de veras, estava perto de consegui-lo: já passara por Suíça, Itália, Áustria, Hungria, Croácia, Grécia, Romênia, Ucrânia, Turquia, Alemanha, Polônia, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. Dizia que deixara seus favoritos – França, Espanha e Portugal – para o desfecho de sua façanha… por ironia do destino conhecera tudo que desejava, exceto o principal de sua jornada, que seus amigos conheceriam por ele.

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